Ele veio novamente numa tentativa de desequilibrar minhas emoções. Minhas memórias estão desaparecendo, mas as memórias dele ainda persistem. Uma a uma ele traz à tona. Escuto uma voz interior e não consigo escapar. Não são memórias de amor, são de um destino idiota que aconteceu, uma distração da razão e um descuido da precaução. Quando ele partiu se esqueceu de limpar a sujeira de um trabalho inútil.
Profundamente ele busca uma mentira para se esconder e se exilar da culpa, eu poderia ajudá-lo a achar uma maneira de controlar esta convicção, mas vejo que no momento nem uma catarata de lágrimas o salvaria. Ele é acusado pela sua aptidão em causar dor. Ele mentiu para o seu próprio reflexo e neste desterro se afunda. Não há inocência, e amor não é possível sem este brilho cintilante e pueril. A mente dele não apagou as memórias, preservando vivo o que foi enterrado lá atrás, construindo assim um vínculo entre ele e o passado outrora velado.
Alimenta o equilíbrio mantendo harmonicamente o presente com o destino que ele gostaria que fosse – ilusão. Cegado pelo despeito, entre a luxúria e o ódio, se vê marcado pelo destino e não há tempo pra desperdiçar. Vive criando a sua própria ruína e transformou suas ilusões no seu ópio. Ele não vai me dirigir para a sua mórbida miséria. Tenta me manipular, balbuciar sentimentos, forçar lágrimas, tenta a comoção como estratégia. No fim, não convence nem a ele. Desiste derrotado de seu teatro amador.
Tomado pela infinidade de um tormento recorrente, se tortura deixando o orgulho devorar o que restou. Repete o tormento. Habitando em um mundo criado em sua mente, misturando o seu arrependimento com o barulho choroso das gotas da chuva.
Adriana Garcia
=> Não dá pra acreditar!

2 comentários:
Olá Adriana. Parabéns pelo blog! Poético. Adorei.
Olá Angel. Obrigada pelo estímulo. Volte sempre.
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