"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Papai Noel às Avessas - (Carlos Drummond de Andrade)


Papai Noel entrou pela porta dos fundos
(no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas,
coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.


Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
(no Brasil os Papais-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças.
Papai entrou compenetrado.


Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais
[lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente de república de celulóide.


Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidentes
brigavam por causa do aperto.
Os pequenos continuavam dormindo.
Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.


Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes




***Achei o poema adequado para a data!!

(Desejo para mim um natal ao lado das pessoas que me são importantes e essênciais, e um ano novo com forças renovadas e muita serenidade... Porque como diz minha mãe: A rapadura é doce mas não é mole!)

E você? O que deseja pra você mesmo??

Os Ombros Suportam o Mundo - Carlos D. de Andrade


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertam ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.








=> Este tempo chegou, mas já se vai!

Cidadezinha Qualquer - Carlos Drummond de Andrade


Casas entre bananeiras

mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar ... as janelas olham.


Eta vida besta, meu Deus.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O quereres - Maria Bethânia


Onde queres revólver sou coqueiro,
onde queres dinheiro sou paixão

Onde queres descanso sou desejo,
e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta,
e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta,
e ganha liberdade na amplidão

Onde queres família sou maluco,
e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco,
e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez,
onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão,
e onde queres cowboy eu sou chinês

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato eu sou o espírito
e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo
e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói
e onde queres tortura,mansidão
Onde queres o lar, revolução
e onde queres bandido eu sou o herói

Eu queria querer-te e amar o amor
construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação
tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
e vê só que cilada o amor me armou

E te quero e não queres como sou
não te quero e não queres como és

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor


Onde queres comício, flipper vídeo
e onde queres romance, rock'nroll
Onde queres a lua eu sou o sol
onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz
Onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
e onde queres coqueiro eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer
que há e do que não há em mim




Sublime!!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Atraso emocional




"Esse miúdo que tu tanto idolatras só porque era ´muito esperto´ como tu dizias, é uma pessoa completamente banal, tão banal que até teve que ir fazer uma viagem para não parecer banal. Percebes o que te estou a dizer? Ele teve a maior experiência da vida dele quando andou contigo, abriste-lhe a cabeça e o mundo, e, depois ficou um pavão, um pavão que se encheu com as tuas penas e ficou convencido que era o maior e que o mundo estava à espera dele. Mas não passa de um limitado, de ... olha, isso mesmo! De um atrasado emocional! Há os atrasados mentais, não há? Ele é um atrasado emocional."

Margarida Rebelo Pinto - Alma de Pássaros


Nem é preciso dizer mais nada!  o.O
 
 
 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Bem Querer

Artefatos e teorias
Analgésicos pra esta dor
Antídotos. E o veneno?
Pressuposto contra fatos
Laborar remédio pro irremediável
Desculpas quando é necessário o perdão
É como música pra surdos
Palácio dos mortos
É trabalho numa causa valiosa, de uma moeda só
É empenho em projetos de vento
É fagulha na fogueira
Regar um lago ou beliscar um leproso
É de mais ou de menos
É de fazer
Querer fazer
Faltar
O querer
Amar


Adriana Garcia 


Confusa!!  º.º

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pensando bem...


"Eu, uma vez ou outra, sinto saudades das coisas que perdi, mas não as quero de volta. Já sofri uma vez..."



Por esses e outros motivos que estou pensando mais do que  eu deveria!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Música:
De uns tempos pra cá - Chico César


Há algum tempo recebi este mimo de meu lindo...

Eu poderia ouvir esta música durante toda a tarde, e pela noite e no decorrer do dia de amanhã.
Preencher meu fim de semana com ela, e toda a semana seguinte... Durante todo o mês e no ano que está quase no fim... Não bastante, poderia ouvir em todos os dias que ainda me restam.
Enfim, ela é sublime!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

As sem-razões do amor - Carlos Drummond de Andrade


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

 
*Palavras que não calam...

Um boa conversa!

O que ando precisando é de uma boa conversa.
Um diálogo. Cansei de monólogos.
Cansei das verdades prontas, das teorias que na prática não estão funcionando.
Preciso de ouvidos atentos, de um coração que sente e sofre como o meu, pra que possa me entender.
Preciso de um olhar terno que acalma os meus questionamentos.
Preciso de braços que me confortam e me façam sentir segura.
Preciso de lábios que me digam o que eu quero ouvir, ou que digam qualquer coisa, mesmo que me contrarie, mas que digam!!!!
Quero e preciso conversar botar pra fora sentimentos, vomitar verdades entaladas que roçam minha garganta provocando náuseas. Náuseas que me fazem sentir nojo do contexto em que me encontro.
Quero conversar com alguém e descobrir que não sou tão louca como me julgo. Que não sou tão descabida de propósitos. E que essas coisas que eu sinto existem, porque outras pessoas também sentem como eu. Descobrir que não estou só nesta!
No desespero me pego pensando em como seria bom, alguém que, mesmo mentindo, me dissesse tudo o que agradaria meus caprichos, só pelo prazer do engano ao invés do tapa na cara que é a verdade.
É que estou tão cheia das verdades que estão saltando diante dos meus olhos que não sei mais o que fazer com elas. Não sei como lidar com a situação.
Seria bom encontrar alguém que me desse a resolução da questão.
Mas nem me iludo com isso...

Eu quero, depois de falar, fechar a boca e não sentir remorsos.
Eu quero, depois de ouvir, compreender e aceitar sem julgamentos.


Adriana ficando doida...


 
Escrever alivia...
Não é que agora estou mais leve, porque eu não estava leve.
Eu estou menos pesada!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Bandeira - Zeca Baleiro



Música: Zeca Baleiro - Bandeira (Ópio)


"Nada tenho, vez em quando tudo
Tudo quero, mais ou menos quanto..."


Eu passei agosto esperando setembro...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Seja Por Esta Hora - Fernando Pessoa


...
Seja por esta hora que me leveis a enterrar,
Por esta hora que eu não sei como viver,
Em que não sei que sensações ter ou fingir que tenho,
Por esta hora cuja misericórdia é torturada e excessiva,
Cujas sombras vêm de qualquer cousa que não as cousas,
Cuja passagem não roça vestes no chão da Vida Sensível
Nem deixa perfume nos caminhos do Olhar.

Cruza as mãos sobre o joelho, ó companheira que não tenho nem quero ter,
Cruza as mãos sobre o joelho e olha-me em silêncio,
A esta hora em que eu não posso ver que tu me olhas,
Olha-me em silêncio e em segredo e pergunta a ti própria
- Tu que me conheces - quem eu sou...

Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa - trecho)




**(Por não saber o que fazer, estou na espera que me digas!)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Amar - Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?

sempre, e até de olhos vidrados, amar?


Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?


Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.


Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.


Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.










*Superando os medos que me travam, impedindo que eu possua a nobreza de amar...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

É o que me interessa



Vídeo da Música:   Lenine - É o que me interessa

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.



Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.


Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor

Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.


A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso

O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010



Acho que tô ficando doida!!!
Ou sempre fui e só estou me dando conta agora.

º_º

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

[des]gosto




É a falta de gosto. Não pelo ser amado. É a falta de gosto por mim mesma. É o desgosto!
É o cansaço, é uma falta de vontade de tentar entender, de compreender, é a vontade de mandar tudo pelos ares. É vontade de virar as costas e sair rindo, como se nada tivesse acontecido. Indiferença.
Mas não tem como, porque eu estou começando a achar, às vezes quase tenho certeza, que eu o amo.
É quase absoluto, e como tudo o que é absoluto me causa a dúvida. Mas eu tenho certeza que o amo.
Mas isso não sai de dentro de mim. Eu amordaço estas três palavras [eu te amo], porque eu não ouso soltá-las. Não mesmo. Pra mim é coisa séria. É imortal...
E não quero ninguém rindo do meu jeito de amar. Não quero julgamentos, porque eu amo do meu jeito. Do jeito que aprendi e do que jeito que fui amada. Se é que eu fui amada!
Amada ou não, eu amo e esta afirmação me apavora.
Amar é viver a beira do abismo, e admitir o amor que sinto é me jogar de olhos fechados no abismo.
Estou completa de amor, de desgosto, de cansaço e de uma certeza de que vai dar tudo certo.
Eu não sei como eu posso, apesar de todo o desgosto, ainda ter certeza de que vai dar certo.
Talvez seja a certeza de amar, que me faz ter a certeza de que vai dar certo.
Desgosto, cansaço, medo, tudo isso passa... Amor não!


Adriana Garcia




:(



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Em busca da serenidade.



Já não importa a presença ou a ausência.
Não faz diferença, é tudo a mesma coisa.
Afinal, é só um corpo, ou um corpo a sós...

Já não me importa atenção ou rejeição.
Meu bem estar não depende de atitudes alheias.
Nem tudo são gestos...

Já não tem sentido buscar explicação.
Se fez ou não fez, se ligou ou não ligou, se há preocupação ou não.
No fim, tudo evapora com o tempo e o que se dizia presente fica no passado...

Já não pertence a mim o direito de comparações afetivas.
Medir palavras, carinhos, gestos e reciprocidade.
Afinal, sempre tem aquele que ama mais e aquele que se deixa ser amado...  

Já não busco salvar minha vida. Basta-me preservar o dia de hoje.
Planos exagerados, sonhos voluptuosos só me causam frustração.
A realidade é dura, porém benéfica. E o dia de hoje é o meu futuro.

Já não perco o equilíbrio com julgamentos inúteis.
Cada um sabe o que faz e espera as consequências, consciente ou não desta espera.
É tudo ação e reação, reação e consequência.

Não busco a santificação, mas aceito viver no purgatório o tempo que me for necessário.
É preciso encarar dias ruins como uma alavanca pra melhorias internas.
Eu não fazia permutas com qualquer divindade que seja. E não vai ser agora!

Desejo o bem-estar de meu próximo, e neste caso a pessoa mais próxima de mim sou eu mesma.
Cuidadosamente, pois a linha que separa amor-próprio de egoísmo é demasiada tênue.
É perigoso cortar defeitos e acentuar qualidades, pois há o risco de desequilibrar o conjunto.
Entrego nas mãos Dele.

Dia após dia aprendendo. Estou me amando mais... Deste modo eu me preservo.
Estar sozinha não é tão negativo. Sou uma boa companhia e gosto das descobertas que estou fazendo.
Obstáculos sempre existiram em meu caminho. Mas agora há uma diferença:
Ao invés de contorná-los eu os encaro e supero.

Posso estar errada sobre tudo o que escrevi, e se assim for admitirei.
Não tenho tempo para covardia e autoengano.
São falhas primitivas e destruidoras.

Sem esperar algo dos outros, sem cobranças de qualquer gênero.
Sem me levar tão a sério...

Em busca da Serenidade!


Adriana Garcia

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

QUERO



Quero que todos os dias do ano
Todos os dias da vida
De meia em meia hora
De 5 em 5 minutos
Me digas: Eu te amo.


Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
Creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
E no seguinte,
Como sabê-lo?


Quero que me repitas até a exaustão
Que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
Pois ao não dizer: Eu te amo,
Desmentes
Apagas
Teu amor por mim.


Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
Isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra
Nem sei de outra maneira a não ser esta
De reconhecer o dom amoroso,
A perfeita maneira de saber-se amado:
Amor na raiz da palavra
E na emissão,
Amor
Saltando da língua nacional,
Amor
Feito som
Vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
Inexoravelmente sei

Que deixaste de amar-me,
Que nunca me amaste antes.


Se não disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamoamo,
Verdade fulminante que acabas de desentranhar,
Eu me precipito no caos,
Essa coleção de objetos de não-amor.


Carlos Drummond de Andrade


É pedir muito pra quem não pode fazer nada...

Evaporar


É num dia como este que eu sinto uma predisposição pra mandar tudo pelos ares. Jogar tudo na lixeira e começar do zero. Mas de verdade, sem nada, nem mesmo a roupa do corpo. Nua e crua.
Sem nenhuma experiência. Virgem de todos os sentimentos. Sem nada conhecer, nem tocar em nada. Nem no céu nem no chão.
É num dia como este que eu percebo o meu corpo em constante atrito com a minha alma. E que tudo ao meu redor não passa de uma miragem, coisas que eu não possuo e que não servem para nada além de acumular poeira.
É por isto que eu vou jogar tudo fora. Vou ficar apenas com as paredes pálidas e geladas. Elas me são semelhantes. Neste ambiente oco eu me sinto bem. Eu sou parte dele.

No dia que o calor retornar, eu sigo evaporando...




Adriana Garcia


Eu larguei mão.

Dois caminhos


E agora?



quarta-feira, 4 de agosto de 2010

...


Ai de mim se eu tivesse tempo de escrever aqui tudo o que eu quero.
Ah, como eu queria conseguir transferir pras palavras tudo o que eu sinto.
É como se escrever minimizasse minhas torturas internas, ao mesmo tempo que, me parece que se eu transferir pras palavras todos esses sentimentos, eu estou menosprezando-os, pois as palavras são insuficientes pra descrever o que estou sentindo.

Eu sinto, e sinto muito. E isto é tudo.


Adriana Garcia
 
 
* Desabafo ou instrospecção? Vai saber...  
 
 

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O velho novo...



Tudo novo de novo - Paulinho Moska

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando: nada é tão triste assim!

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou


E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou


Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vídeo da Música: Tudo novo de novo



É assim que está sendo. E é assim que deve ser de agora em diante... Tudo novo de novo!
Começar... Acordar... Mergulhar... Celebrar... Me jogar... E o velho é novo de novo!

:)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Placebo




"Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito."


Fernando Pessoa, Livro do Desassossego.


:(

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Meu abismo, meu abrigo



Lobão - Meu Abismo, Meu Abrigo

Vídeo da música: Meu abismo, Meu abrigo

Pára um pouco, descansa um pouco
Relaxa e olha pra mim
E vê se dá pra destravar
Que da minha parte, você sabe
Eu não quero nada além do que você consegue ser
Nem mais, nem menos
Então, vem agora
Meu amor, meu amor
A tua liberdade é tudo que eu quero desfrutar
Minta, inventa qualquer verdade, não importa
Se sinta à vontade pra poder dissimular
E, se por acaso, você ficar com medo
Tudo bem, eu também não tenho nada pra poder me segurar
Não sei não, mas talvez, seja isso
Essa falta seja o aviso
De que a gente não tendo outra escolha, arrange coragem
Pra admitir
Quem ama, não pode
Esperar nada de quem tudo se quer
Quem ama, não pode
Esperar nada de quem tudo se quer
Por isso, conta comigo
Pra qualquer destino
Meu abismo, meu abrigo
Só se vive o que se ama


Presente do Ezequiel.
Fez surgir o riso, coloriu meus olhos!!!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Vão


"Ultimamente ando procurando um rumo para direcionar a minha vida, um lugar que eu possa mansamente me acomodar e enfim descansar a minha mente.
Eu tenho tentado ser diferente com minhas atitudes e meu posicionamento diante dos acontecimentos do dia-a-dia. Tenho buscado a paz de espírito e o conforto do corpo, a fim de harmonizar corpo e alma.
Estou na busca do meu passado pra entender o que se passa hoje em minha vida.
A única coisa que temo é descobrir que todos esses dias vividos, todos esses anos pesados e dolorosos que carrego por uma escolha que fizeram em meu nome, foi em vão."

Eu não quero descobrir que sou uma fraude de mim mesma.

 
Adriana Garcia
 
 
 
 

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Amor de pele!



Vídeo da Música:   Tatuagem - Chico Buarque


Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava


Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço


Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva


Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo


As canções conseguem definir todos os meus sentimentos!
Para o Ezequiel... Meu lindo!


...

quarta-feira, 30 de junho de 2010


Socorro!!!


VídeoSocorro - Cássia Eller

"Socorro, não estou sentindo nada

Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada..."
 
 
 

terça-feira, 29 de junho de 2010

Deprê!




Por que essa tristeza não quer passar?
Quando eu deixei que a tristeza se acomodasse ao meu lado, foi só por uma tarde de inverno e não em todas as estações.
Então tristeza, por que você não vai embora? 

:(



segunda-feira, 28 de junho de 2010

Amargura



Quando os sentimentos são oprimidos, e a vontade de chorar não é obedecida, as lágrimas que são salgadas ficam amargas dentro da gente.

Adriana Garcia 



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Já se foi...



O nosso amor é um objeto empoeirado que coloquei numa estante velha da sala
É um livro mofado que ninguém mais se interessa em ler, guardado num baú esquecido embaixo da cama
O nosso amor é aquela roupa que um dia usei pra ir ao baile e que hoje só serve de alimento pras traças
É um ramalhete de flores secas, que um dia significou um pedido de casamento
O nosso amor é um retrato preto e branco com um recorte no lugar de um rosto
E esse recorte me corta me dói!
Dói mais do que escrever isto.


Adriana Garcia 




"É como se a gente não soubesse
Pra que lado foi a vida
Porque tanta solidão
E não é a dor que me entristece
É não ter uma saída
Nem medida na paixão... "