"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Camaleão





Levo uma vida de erros pra eles que pregam a inocência e a ausência do pecado.
A maça do paraíso tem o rosto de uma jovem. E a virgindade foi perdida há muito tempo.
Não adianta tentar encobrir os erros, usurpar a verdade. Quando se revela a verdade é mais fácil encontrar o reduto dos que carregam a alma de lama.
Não existem contos de fadas, não há como eu me esconder. Eles manipulam a mente doutrinando os hábitos. E mentes doutrinadas com freqüência contêm pensamentos doentios que levam ao pecado. Persuadir vidas com mensagens de Deus ás vezes convence, mas não é tangível. E logo me vejo cometendo os pecados que eles pregam contra. 
É muito simples se esconder atrás do espelho, mas quando ele se quebra vem à tona a realidade. Manter-me em silencio não é a melhor fuga, pois meu silencio implora por perdão e o perdão não é um produto de consumo, não está à venda! Então vou seguindo meu caminho orientada pelo meu senso comum. Aflora em mim a vontade de esquecer já que não existe conto de fadas como esconderijos. Já que no jardim do éden as mentes mórbidas não têm imunidade.
Minha fraqueza social me torna compulsiva e desabo quando penso nos meus incontáveis inimigos que confeccionei. Eu sei como eu me sinto, mas eles não sabem, eu nunca digo nada. Eles não se preocupam com meus desabafos, não participam dos jogos que eu jogo, não sangram pelos meus pecados. O meu extravio do senso de superioridade resulta numa insustentável forma de vaidade, e nessa fuga eles não sabem o que eu sou, porque eu me camuflo e não mostro nada.
Eles não sabem o que eu sinto, eu não conto nada!
Eles não sabem o que eu sou, eu não mostro nada!

Adriana Garcia

=> Nunca foi preciso mentir pra conquistar...

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