"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Do Medo da Vida




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É que neste mundo viver significa sentir... E eu nem sempre estou capacitada emocionalmente pra sentir o que a vida me oferta. A sensação de desequilíbrio é constante e eu perdi o ponto balizador de sentir sem sofrer. Eu não caibo onde estou e o que sinto já não cabe mais em mim.
Eu sinto a vida e por hora viver me dói.

Adriana Garcia

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sobre Dar Carinho



Não basta amar, é preciso amar do jeito que a pessoa deseja ser amada. E acrescento mais, não basta demonstrar carinho, é preciso dar este carinho do jeito que a pessoa quer receber.
Vejam a história de uma moça como exemplo:
Ela é rude com as mãos, dura com as palavras, tem dificuldades em receber e dar carinho. Os toques, as palavras, sempre lhe foram coisas delicadas de lidar. Ou melhor, delicadeza lhe falta.
A moça não aprendeu estas coisas, o ‘dar carinho’ não foi passado pra ela desta forma. Ou melhor, não foi passado de forma nenhuma. Desde cedo aprendeu a cozinhar, limpar a casa, cuidar das roupas, móveis, essas coisas de moça que é prendada pra casar. Mas o carinho que é essencial, este não lhe foi ensinado.
Quando quer demonstrar carinho ela cozinha, limpa a casa, lava as roupas... Essas coisas de Amélia.
Coitada dessa moça, ela jura que é moderna e independente. Sonha com a vida na cidade grande, com a correria, com o sucesso profissional e reconhecimento. Sonha com aqueles casamentos de comerciais de sabão em pó, onde a ‘mulher independente’ trabalha o dia todo e ainda ao chegar em casa, feliz e sorridente, lava as roupas brincando com os filhos... Coitada, sonhadora nata!
Ela mal consegue suportar um não quando oferece um bolo a alguém, para ela é como se tivessem recusado um beijo ou um abraço ofertado. Se ela não suporta isso, não tem maturidade pra estes fatos, que dirá pra levar uma vida dessas... Moderna!
Moça, primeiro se aceite... Aceite suas limitações, seus traumas, sua rudez... Depois se deixe levar por aqueles frios na barriga que você sente quando é abraçada. Não congele seus braços na possibilidade de dar um abraço... Beije mesmo achando que seus lábios são ásperos. Aceitação moça. As coisas são como são, e depois ir contra tua natureza não dá!

Não, não, não! Acorda Dona Moça... Essa vida não é só de sonhos.

Adriana Garcia

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Vídeo: Ilusión - Julieta Venegas e Marisa Monte


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro — e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco."


(Caio F.) 



 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pode vir quente...

Pra animar o Fim de Semana...

Mais Uma Projeção



Ela olhou no relógio e viu que já era hora de acabar com a espera.
Estava sem palavras, sem vontade de ouvir e ser ouvida.
Desejava o mínimo de ação possível. O seu corpo pedia repouso absoluto e o seu espírito já estava dormente de tanto cansaço.
Ela tinha acabado de descobrir o conforto do silêncio. E o poder de agressão das palavras...
Só queria ficar quieta em seu quarto e não ouvir nenhum som além de sua própria respiração.

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Quando chegou o momento da despedida, num esforço descomunal para não chorar, ela se despediu tentando não esboçar qualquer vestígio de sentimento na voz. Não queria falar sobre o que estava sentindo.
Ouviu um sorrisinho sarcástico e duvidoso. Aquele riso que demonstra dúvida de que a conversa acabou realmente... O riso que acha que tem alguma coisa de errado.
Ela só queria ficar quieta. Cansou de fazer perguntas e de dar respostas que não são entendidas. As palavras são tão perigosas. O silêncio é direito de todos, não é?


Adriana Garcia

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Na veia...

Feliz o tempo em que todas as dores se curavam apenas com um doril.
Feliz o tempo!
Sr Farmacêutico, me vê uma injeção de buscopan, por favor!!!

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Dos sonhos irreais...


O dia que eu aprender a ser racional e realista... Neste dia acabam minhas frustrações.


domingo, 7 de agosto de 2011

Mais uma de Bethânia



Eu vou te contar que você não me conhece...
E eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve!
A sedução me escraviza à você
Ao fim de tudo você permanece comigo, mas presa ao que eu criei e não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa
Você não tem um nome, eu tenho
Você é um rosto na multidão, e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou, e a mentira da aparência do que você é.
Porque eu, eu não sou o meu nome, e você não é ninguém
O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca a chegar ao limite possível de aproximação.
Através da aceitação da distância, e do reconhecimento dela.
Entre eu e você existe a notícia, que nos separa
Eu quero que você me veja nu, eu me dispo da notícia.
E a minha nudez parada, te denuncia, e te espelha
Eu me delato, tú me relatas
Eu nos acuso, e confesso por nós.
Assim, me livro das palavras,
Com as quais você me veste.


 Jeito Estúpido de Te Amar

Eu sei que eu tenho um jeito
Meio estúpido de ser
E de dizer coisas que podem
Magoar e te ofender
Mas cada um tem o seu jeito
Todo próprio de amar
E de se defender

Você me acusa e só me preocupa
Agrava mais e mais a minha culpa
Eu faço e desfaço contrafeito
O meu defeito é te amar demais.

Palavras são palavras
E a gente nem percebe
O que disse sem querer
E o que deixou pra depois
Mas o importante é perceber
Que a nossa vida em comum
Depende só e unicamente de nós dois

Eu tento achar um jeito de explicar
Você bem que podia me aceitar
Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser
Mas é assim que eu sei te amar.

 

Composição : Isolda e Milton Carlos

Poema de abertura  de Fauzi Arap
Declamado por Maria Bethânia

sábado, 6 de agosto de 2011

Pra preencher esse sábado vazio...

Só ouvindo Nando Reis pra conseguir me sentir bem trabalhando sábado e domingo num escritório vazio e frio.
Aí vai alguns vídeos que eu não me canso de assistir:

















sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Aquela moça.

Moça Sentada Vista por Trás (Salvador Dali)


Para uma moça que conheci dia desses...


Um andar desajeitado, que causa estranhamento
Um olhar apavorado, de quem foge da vida
Assim caminha aquela moça.

A boca, muda de medo
As mãos, ásperas de trabalho
Os cabelos, presos de insegurança

Sonha com beijos que nunca ganhou
Com afagos que nunca sentiu
Ela sonha com a valsa dos contos

Aquela moça, que por tanto tempo caminhou só
Hoje se senta acompanhada de sonhos
Ela os vive, sente e sofre

Aquela moça só mudou a solidão de lugar
Tirou da cabeça e pôs no coração.


Adriana Garcia
*Da solidão de tantas moças...