"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Um dia eu aprendo




Existe sempre um vazio de não sei o que dentro de mim.
Um vazio, que infelizmente, eu tenho preenchido de sentimentos gerados por atitudes alheias.
Com isso eu experimento um inferno emocional que sozinha eu não consigo sair.
Então eu recorro a esta página, na esperança de acalmar o que sinto.
É tão duro ouvir o seu silêncio, ainda mais quando ele é quebrado por palavras ríspidas e perguntas mecânicas. E eu tenho tentado ser dura também, só que eu não consigo. Eu falo demais, choro demais, me agrido demais. Depois o arrependimento vem amargo perturbar meu sono.
Eu já jurei ser menos emotiva e mais racional, e o que eu consegui foi no máximo um humor bipolar.
Eu me abro demais pra você, me exponho em excesso, divido coisas que eu nem deveria. E você dosa palavras, se tranca em seu mundo e às vezes eu sinto que fiquei pro lado de fora.
Talvez seja assim por falta de confiança em mim, ou por você saber se virar bem sozinho. Talvez você apenas queira me poupar de desabafos que você julga me incomodar. Eu não entendo e fico cheia de talvez...
Eu me faço tanto mal agindo assim e sentindo essas coisas. Sim, porque aprendi que apenas eu posso me fazer o mal.
Eu tenho tentado ser adulta. Eu venho tentando desligar o telefone e não ligar novamente. Eu luto pra não te encher de perguntas querendo saber o que é que houve...
Eu, hoje, estou tentando ficar bem.
Um dia eu aprendo a ser dura com a vida...

Adriana Garcia




Ainda com uma forte pressão no peito.
Tem dia que só o papel me entende.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Você não entende nada/Cotidiano (Chico e Caê)


(Você não entende nada)

Quando eu chego em casa nada me consola
Você está sempre aflita
Lágrimas nos olhos, de cortar cebola
Você é tão bonita  
Você traz a coca-cola eu tomo
Você bota a mesa, eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você não está entendendo
Quase nada do que eu digo
Eu quero ir-me embora
Eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo neste apartamento
Você não acredita
Traz meu café com suita eu tomo
Bota a sobremesa eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você tem que saber que eu quero correr mundo
Correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo

(Cotidiano)


Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.

Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.

Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.

Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.

Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.

Eu quero que você venha comigo
Todo dia...


Chico e Caetano são perfeitos!!!
  ;)