"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pra ajudar a cicatrizar



Nada por mim
(Herbert Vianna e Paula Toller)

Você me tem fácil demais
Mas não parece capaz
De cuidar do que possui
Você sorriu e me propôs
Que eu te deixasse em paz
Me disse vai, e eu não fui

Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu

Você me diz o que fazer
Mas não procura entender
Que eu faço só pra te agradar
Me diz até o que vestir
Com quem andar e aonde ir
Mas não me pede pra voltar

Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu.




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Da decepção anunciada



A única maneira de não se decepcionar é não esperar nada dos outros. Do contrário, fico assim...
E são palavras mal interpretadas, são gestos não entendidos, e assim vai... Vai tudo caminhando para um rumo ignorado.
E você sem saber dos entremeios... Por escolha deles.
Se eu tivesse prestado atenção nos sinais, não haveria surpresas indesejadas. A decepção estava anunciada.

 ... 

Não há mais o porquê de eu me queixar. Os porquês me abandonaram. E eu abandonei a imagem de homem protetor que eu havia criado. Talvez proteção seja outra coisa, e não o que eu havia aprendido até então.
Abandonar alguns hábitos é doloroso, e eu preciso encontrar ouvidos confidentes. Mas em quem confiar? Quem ouve sem julgar?
 

Adriana Garcia




 
"Machuquei a mim mesmo hoje, pra ver se eu ainda sinto..."


Saber transformar a dor em canção é um dom.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

in nomine patris




Ela ainda espera o tempo de calmaria... Aquela calmaria prometida depois da tempestade!
Não chora mais, as lágrimas não suportam a demanda de tristeza.
Mesmo que lute e relute, quando ela pensa que vai ficar tudo bem recebe outro golpe.
Uma amiga lhe disse, que leu em algum lugar algo que dizia assim: “Você vai ser feliz, mas antes a vida vai te ensinar a ser forte”.
Ela sabe que a amiga só quis confortá-la, mas aquilo não lhe pareceu encorajador. As forças minaram depois da notícia que recebera naquela tarde... Deu-se conta que a vida é tão frágil, e que as pessoas que se ama podem ir embora tão rapidamente.
Passado o susto, e recomposta das lágrimas escassas fixou o olhar no celular, pensando em ligar pra ele, perguntar se está bem, e avisar que está indo correndo cuidar dele, cuidar de suas feridas no corpo com curativos e das feridas na alma com uma reformulação de vida, oferecer a ele a ajuda que ele precisa, e que nem ele mesmo se dá conta que precisa. Mas pensou bem, e percebeu que o melhor a se fazer era deixar ele lá, quieto com a sua escolha de ficar sozinho. Às vezes o inimigo etílico parece ser a melhor companhia. E nesses momentos em que ele domina a mente é melhor não enfrenta-lo...
Ela sabe que não basta querer ajudar, faz-se necessário que a outra pessoa queira ser ajudada. Ela sabe disso muito bem.
Olhou pra tela do celular e procurou o nome dele na agenda: PAI. Discou... E desligou em seguida, nem deu tempo de chamar. Talvez por segurança, talvez por medo. Diante dele ela ainda não passa d’aquela menininha assustada de oito anos.
Ela, como sempre, olhou pro seu passado. Nunca foi diferente, nada foi fácil, por que teria que ser fácil agora?
Afinal, como lhe disseram, é preciso ficar forte pra depois ser feliz.
A vida segue, e ao nosso lado seguem as pessoas que decidiram ficar, porque te amam como você é.
Ela decidiu seguir com ele, mesmo que a distância.


Adriana Garcia

Metade - Oswaldo Montenegro



Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silencio;
 
Que a musica que eu ouço ao longe seja linda ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade;
 
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta num homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo;
 
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço;
Que esta tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada;
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é lembrança do que fui, mas a outra metade eu não sei;
 
Que não seja preciso mais que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito;
Que o teu silencio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço;
 
Que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela não saiba;
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade pra faze-la florescer;
Porque metade mim é a plateia, a outra metade é canção;
 
E que a minha loucura seja perdoada;
Porque metade de mim é amor, e a outra metade também.

Oswaldo Montenegro




*Até este momento, ainda não ouvi nada que definisse tão bem quem eu sou e o que eu sinto, como este poema canção! É impossível não aquietar meu espírito toda vez que eu o ouço.

Só por hoje... Amanhã é outro dia!


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