"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

terça-feira, 25 de maio de 2010

A LISTA




A LISTA – OSWALDO MONTENEGRO

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você.



"Atordoada. Sem palavras pro momento."


segunda-feira, 24 de maio de 2010

LEVEZA



E mesmo que as palavras não se completam, e que os interesses não sejam os mesmos.
E mesmo que o caminhar seja lento demais, cansado demais, os meus pés continuarão.
Chegará o dia que os nossos destinos caminharão lado a lado e deixaremos de ser apenas duas vidas que se cruzam na esquina.
E neste dia as palavras ganharão sentido, o caminhar cessará, e juntos flutuaremos guiados pela leveza de ser eu em você e você em mim.
Os interesses não existirão e seremos completos na abstração de sermos o que realmente somos.
Um para o outro e nada mais a declarar...

Adriana Garcia



"E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."



quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cadê o tempo?



 
Eu grito em meio a uma multidão de surdos.
Eu respiro a fumaça dos carros.
Pinto minha palidez com cores que meus olhos daltônicos não enxergam.
Me visto de tecidos que minha pele insensível não sente.
Me alimento sem degustar os sabores.
Meus ouvidos destreinados não capturam mais as ondas sonoras de uma boa música!
Estou virando robô!

Sem tempo!
Precisando recarregar as baterias.
Precisando parar e respirar profundamente.
Urgentemente necessitando saborear os pequenos momentos...


SocorrooooooooooooooooooooooooooooooO!

=> Correria sem sair do lugar!!!  o.O


Link de Música: Paciência - Lenine

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais alma
A vida não para 
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara...”
 



Sem tempo pra escrever, mesmo que qualquer coisa... Como sempre!



 

segunda-feira, 10 de maio de 2010

É só depois



Depois tinha a robótica nos movimentos.
A sequidão nas palavras, depois tinha o enaltecimento dos elogios tecidos propositalmente.
Tinha a terciária intenção no mover dos cabelos.
Depois vinha o remorso das atitudes desastrosas. Depois era só o suor frio da pele traída pelo desejo.
Depois tinha o estalar dos cílios que quando piscavam orientavam o foco para o ínfimo querer.
Depois de tudo devorar tinha o arroto da satisfação na cara de quem bem queria e nada tinha o que fazer.
Depois vinha o arrependimento de tocar nas feridas não cicatrizadas daquela conversa desnecessária.
Depois o desperdício dos sonetos na busca do consentimento de um beijo. Um beijo que pretende ser aliança.
Depois do beijo, pensava-se no antes. O antes que vinha depois de tudo.

Adriana Garcia 

*Eu consigo me entender... É que depois de tudo não fica nada.



sexta-feira, 7 de maio de 2010

Poesia



Poesia é o que acontece quando os meus olhos encontram os teus...


Agorinha ele está aqui!! 






“Nenhuma rede é maior do que o mar
Nem quando ultrapassa o tamanho da terra
Nem quando ela acerta, nem quando ela erra
Nem quando ela envolve todo o planeta
Explode e devolve pro seu olhar
Um tanto de tudo que eu "tô" pra te dar...”


*Com Ezequiel por perto a vida é mais saborosa! 


 

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Outono


 As manhãs de outono costumam ser amenas, e os minutos vão escorrendo por entre os dedos e ficam apenas as dúvidas nas entrelinhas do destino.
As horas contemplam o ócio do personagem clarificando suas idéias, reorganizando o trajeto das tardes.
No outono, as tardes não têm minutos, elas têm horas, tudo é lento e a vida passa devagar. É isso que causa essa incerteza, essa angústia, esse medo de perder o que nem é meu.
Medo de perder minhas folhas, assim como as árvores se preparando pro duro inverno que se aproxima.
Lá fora o vento sopra silenciosamente as palavras que foram amordaçadas para evitar as mudanças aqui dentro...
Aqui dentro as palavras ecoam nos minutos, elas voam aleatoriamente buscando pousar em algum ouvido sensível.
As noites têm lua, música e imagens... As noites sempre são mais alegres, minhas noites tem sonhos. O outono é a anunciação do inverno que precede as primaveras!
É como se tudo renovasse, é como se as estações acontecessem dentro de mim. Uma aluada, uma desvairada, uma doida que foge a regra, que gosta das exceções, que gosta de tudo que excede, de tudo que transborda e de tudo o que falta e causa a fome.
A fome da beleza, da simplicidade, do acaso, a fome que não sacia e que não causa fraqueza. A fome que revigora!
A fome do verão por vida!

Adriana Garcia