Não é por nada não, mas é que hoje quero me recolher dentro de mim, ficar quieta sem emitir nem o som da minha respiração.
Nada pessoal, mas preciso de um momento sozinha. Se quiser me julgar me julgue, mas não me sentencie. A sentença é o final de uma história, e a minha está apenas começando.
Pareço velha, cansada e entregue ao destino, mas é que aprendi a ter a postura de quem perde. Recolhida dentro de mim quebrarei meus paradigmas.
Começarei excluindo minha intolerância ao que é novo, descobrindo o desconhecido.
Vou abster-me da vaidade, do orgulho e da malícia imposta as minhas palavras e pensamentos. Sangrarei minha carne se preciso para cessar essa cadeia destrutiva.
Começa agora uma guerra dentro de mim travada entre o inferno e o paraíso. Os dois me compõem em igual proporção, bom, pelo menos era pra ser assim no momento da criação. A cada dia sou uma criatura diferente. Ontem o inferno venceu o paraíso, hoje o paraíso dominou o inferno. E assim sigo nas batalhas. Quem vencerá a guerra? Pretendo ser eu. Pretendo vencer o bem e o mal, dominá-los e conviver com eles dentro de mim harmonicamente.
Agora que estou recolhida dentro de mim, só peço que não me sentencie. Só pra você saber, aqui dentro é um pesadelo e talvez por esse motivo minha face pode não lhe parecer muito amiga nesses dias de guerra, é o reflexo. Está uma bagunça este lugar, uma desordem, um caos. Quem com sanidade habita num lugar assim? Vai demorar organizar as coisas por aqui... Paciência!
Andando tropeço em coisas jogadas pelo chão, esbarro em pessoas que eu imaginava não existir mais no meu mundo, vejo cacos de espelhos que foram quebrados para não refletir a realidade. Respiro muita poeira de sentimentos envelhecidos.
A faxina não vai ser fácil!
Mas ninguém me disse que seria fácil e ninguém prometeu me carregar quando as forças minarem.
O bom de tudo isso é que quando eu terminar vou ter um lugar aconchegante pra morar, e dentro de mim haverá mais espaço pras pessoas e pras coisas que realmente importam.
Vil desejo.
Vaga forma de viver.
Vontade doida de mudar!
O que importa é o último V, o V da vontade!
Adriana Garcia

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