"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

terça-feira, 16 de março de 2010

A Morte




Não existe possibilidade de recomeço e não existe predestinação no trajeto da vida. Não para mim. Só o tempo poderá mostrar como todos serão nos caminhos da existência.
Neste caso, ser consciente é um tormento, quanto mais aprendemos somos menos do que poderíamos ser, e achar uma resposta para esta questão é fazer surgir uma nova questão. Torna-se uma jornada sem fim... Eu preciso de respostas para perguntas que ainda nem foram feitas.
Valorizo as pequenas coisas sem dar a importância indevida, mas ninguém examina o todo, foca-se somente nas pequenas coisas corriqueiras. Os objetivos da vida fazem-se significativos. Desenvolvo uma habilidade de relativizar meus erros. Procuro por algo que ainda não existe.
Há um tempo tinha medo de morrer. Hoje eu tenho medo de viver sem cautela. Eu gasto minhas energias em coisas que não tem mais sentido. Escrevo meu futuro, mas não o aceito. O curso programado da vida eu desperdicei negando o futuro. Não premeditei, apenas deixei isso acontecer, e não me preocupo mais. A morte sempre chega!
Não temo mais o futuro e não procuro respostas do além. Eu cheiro a morte todo dia. Não me atrevo a ficar cega. Não seria uma ladra tola fazendo de mim um luto eterno.  Não tento enganar minha mente, e nem mentir pra mim. A predestinação representa falsas palavras, apenas guardarei minhas memórias para passar o tempo. No túmulo elas me serão úteis. Afinal, o que é a morte senão um mergulho no vazio dentro de nós?
Na morte, se eu puder optar o que vou ser, seria a terra. Um lugar onde você poderá retornar, salvo ou machucado.
Quando eu olho nos olhos da morte eu não sinto nada além de tristeza por mim mesma. Ela se atreve a me sufocar e me confundir. A morte é um coração que sangra. Ou você joga suas cartas e vai embora ou você fracassa. Eu não reconheço o caminho que deve ser seguido para entrar no infinito. É um desafio.
Quero agora, apenas adorá-la, e me sentir tão pobre quanto ela. Eu preciso entender sua infelicidade. Não posso merecê-la sem compreender os motivos de estar deprimida. Eu pertenço à morte. Pois nada dura para sempre, mas a morte, a morte dura!
Pra viver preciso mentir pra mim, para preencher os meus desejos mais profundos, assim como todos. Mas nem todos admitem.
Eu pertenço a ela... Sou apenas portadora da vida, uma breve passageira nesse trem, onde o destino é a morte.
A vida me passa em câmera lenta, num irrefletido momento enquanto eu me deito e vou percebendo que o meu desejo é me livrar dessa obsessão. Caminhando pro nada, golpeie-me como quiser, pegue minha mão quando desejar.
Quando você se unir a mim, nosso destino conectado ultrapassará os séculos futuros.
Esse é o fim!
Adriana Garcia 
=> Um tanto fúnebre, eu sei. Mas sentimentos são assim, ora feliz, ora triste. Independentemente do astral contido neles, eles me dominam. Não sei ser meio termo, fugir do real que me toma. Ou sou toda ou não sou nada.

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