"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mais Uma Projeção



Ela olhou no relógio e viu que já era hora de acabar com a espera.
Estava sem palavras, sem vontade de ouvir e ser ouvida.
Desejava o mínimo de ação possível. O seu corpo pedia repouso absoluto e o seu espírito já estava dormente de tanto cansaço.
Ela tinha acabado de descobrir o conforto do silêncio. E o poder de agressão das palavras...
Só queria ficar quieta em seu quarto e não ouvir nenhum som além de sua própria respiração.

...

Quando chegou o momento da despedida, num esforço descomunal para não chorar, ela se despediu tentando não esboçar qualquer vestígio de sentimento na voz. Não queria falar sobre o que estava sentindo.
Ouviu um sorrisinho sarcástico e duvidoso. Aquele riso que demonstra dúvida de que a conversa acabou realmente... O riso que acha que tem alguma coisa de errado.
Ela só queria ficar quieta. Cansou de fazer perguntas e de dar respostas que não são entendidas. As palavras são tão perigosas. O silêncio é direito de todos, não é?


Adriana Garcia

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