"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

domingo, 7 de agosto de 2011

Mais uma de Bethânia



Eu vou te contar que você não me conhece...
E eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve!
A sedução me escraviza à você
Ao fim de tudo você permanece comigo, mas presa ao que eu criei e não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa
Você não tem um nome, eu tenho
Você é um rosto na multidão, e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou, e a mentira da aparência do que você é.
Porque eu, eu não sou o meu nome, e você não é ninguém
O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca a chegar ao limite possível de aproximação.
Através da aceitação da distância, e do reconhecimento dela.
Entre eu e você existe a notícia, que nos separa
Eu quero que você me veja nu, eu me dispo da notícia.
E a minha nudez parada, te denuncia, e te espelha
Eu me delato, tú me relatas
Eu nos acuso, e confesso por nós.
Assim, me livro das palavras,
Com as quais você me veste.


 Jeito Estúpido de Te Amar

Eu sei que eu tenho um jeito
Meio estúpido de ser
E de dizer coisas que podem
Magoar e te ofender
Mas cada um tem o seu jeito
Todo próprio de amar
E de se defender

Você me acusa e só me preocupa
Agrava mais e mais a minha culpa
Eu faço e desfaço contrafeito
O meu defeito é te amar demais.

Palavras são palavras
E a gente nem percebe
O que disse sem querer
E o que deixou pra depois
Mas o importante é perceber
Que a nossa vida em comum
Depende só e unicamente de nós dois

Eu tento achar um jeito de explicar
Você bem que podia me aceitar
Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser
Mas é assim que eu sei te amar.

 

Composição : Isolda e Milton Carlos

Poema de abertura  de Fauzi Arap
Declamado por Maria Bethânia

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