"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Outono


 As manhãs de outono costumam ser amenas, e os minutos vão escorrendo por entre os dedos e ficam apenas as dúvidas nas entrelinhas do destino.
As horas contemplam o ócio do personagem clarificando suas idéias, reorganizando o trajeto das tardes.
No outono, as tardes não têm minutos, elas têm horas, tudo é lento e a vida passa devagar. É isso que causa essa incerteza, essa angústia, esse medo de perder o que nem é meu.
Medo de perder minhas folhas, assim como as árvores se preparando pro duro inverno que se aproxima.
Lá fora o vento sopra silenciosamente as palavras que foram amordaçadas para evitar as mudanças aqui dentro...
Aqui dentro as palavras ecoam nos minutos, elas voam aleatoriamente buscando pousar em algum ouvido sensível.
As noites têm lua, música e imagens... As noites sempre são mais alegres, minhas noites tem sonhos. O outono é a anunciação do inverno que precede as primaveras!
É como se tudo renovasse, é como se as estações acontecessem dentro de mim. Uma aluada, uma desvairada, uma doida que foge a regra, que gosta das exceções, que gosta de tudo que excede, de tudo que transborda e de tudo o que falta e causa a fome.
A fome da beleza, da simplicidade, do acaso, a fome que não sacia e que não causa fraqueza. A fome que revigora!
A fome do verão por vida!

Adriana Garcia 

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