Depois tinha a robótica nos movimentos.
A sequidão nas palavras, depois tinha o enaltecimento dos elogios tecidos propositalmente.
Tinha a terciária intenção no mover dos cabelos.
Depois vinha o remorso das atitudes desastrosas. Depois era só o suor frio da pele traída pelo desejo.
Depois tinha o estalar dos cílios que quando piscavam orientavam o foco para o ínfimo querer.
Depois de tudo devorar tinha o arroto da satisfação na cara de quem bem queria e nada tinha o que fazer.
Depois vinha o arrependimento de tocar nas feridas não cicatrizadas daquela conversa desnecessária.
Depois o desperdício dos sonetos na busca do consentimento de um beijo. Um beijo que pretende ser aliança.
Depois do beijo, pensava-se no antes. O antes que vinha depois de tudo.
Adriana Garcia
*Eu consigo me entender... É que depois de tudo não fica nada.

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