
Naquela tarde não caberia canções, nem sons, nem coisa alguma. Tudo estático, sem vorazes ressentimentos de palavras proferidas, nada de se perder nas ásperas paredes de um labirinto. Os instintos alertam pra imperceptível chegada da dor, o fel que escorre dos corações abandonados. O corpo dilui em feitiços rogados pela boca que jaz o beijo.
Morta de esperanças sem lume, sem viço. Cálido desejo que atordoa por querer se fazer ouvir. O ímã fatal que a carne contrai, sem saber da alma que já não carrega – perdeu-se no vão.
Requintes de malícia absorvem a gota que da face escorre, saciando o desejo da pele por calor.
Num suspiro acorda sob efeito dos analgésicos. Já não é preciso ir a farmácias, no seu jardim cultiva seu remédio. É isso! Falta-lhe cuidar de algumas plantas. Cuidar da floração, extrair o fel castanho. Sentir o sabor amargo acre do fruto. Só seus frutos entendem sua dor... O látex leitoso da papoula... Suas belas papoulas.
Adriana Garcia
2 comentários:
Muito forte essas palavras é digna de aplausos menina. sabe como expressar seus sentimentos duramente sem deixar de ser doce.é prazeroso de ler
Ricardo
Obrigada!
Postar um comentário