"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

in nomine patris




Ela ainda espera o tempo de calmaria... Aquela calmaria prometida depois da tempestade!
Não chora mais, as lágrimas não suportam a demanda de tristeza.
Mesmo que lute e relute, quando ela pensa que vai ficar tudo bem recebe outro golpe.
Uma amiga lhe disse, que leu em algum lugar algo que dizia assim: “Você vai ser feliz, mas antes a vida vai te ensinar a ser forte”.
Ela sabe que a amiga só quis confortá-la, mas aquilo não lhe pareceu encorajador. As forças minaram depois da notícia que recebera naquela tarde... Deu-se conta que a vida é tão frágil, e que as pessoas que se ama podem ir embora tão rapidamente.
Passado o susto, e recomposta das lágrimas escassas fixou o olhar no celular, pensando em ligar pra ele, perguntar se está bem, e avisar que está indo correndo cuidar dele, cuidar de suas feridas no corpo com curativos e das feridas na alma com uma reformulação de vida, oferecer a ele a ajuda que ele precisa, e que nem ele mesmo se dá conta que precisa. Mas pensou bem, e percebeu que o melhor a se fazer era deixar ele lá, quieto com a sua escolha de ficar sozinho. Às vezes o inimigo etílico parece ser a melhor companhia. E nesses momentos em que ele domina a mente é melhor não enfrenta-lo...
Ela sabe que não basta querer ajudar, faz-se necessário que a outra pessoa queira ser ajudada. Ela sabe disso muito bem.
Olhou pra tela do celular e procurou o nome dele na agenda: PAI. Discou... E desligou em seguida, nem deu tempo de chamar. Talvez por segurança, talvez por medo. Diante dele ela ainda não passa d’aquela menininha assustada de oito anos.
Ela, como sempre, olhou pro seu passado. Nunca foi diferente, nada foi fácil, por que teria que ser fácil agora?
Afinal, como lhe disseram, é preciso ficar forte pra depois ser feliz.
A vida segue, e ao nosso lado seguem as pessoas que decidiram ficar, porque te amam como você é.
Ela decidiu seguir com ele, mesmo que a distância.


Adriana Garcia

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