"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Em busca da serenidade.



Já não importa a presença ou a ausência.
Não faz diferença, é tudo a mesma coisa.
Afinal, é só um corpo, ou um corpo a sós...

Já não me importa atenção ou rejeição.
Meu bem estar não depende de atitudes alheias.
Nem tudo são gestos...

Já não tem sentido buscar explicação.
Se fez ou não fez, se ligou ou não ligou, se há preocupação ou não.
No fim, tudo evapora com o tempo e o que se dizia presente fica no passado...

Já não pertence a mim o direito de comparações afetivas.
Medir palavras, carinhos, gestos e reciprocidade.
Afinal, sempre tem aquele que ama mais e aquele que se deixa ser amado...  

Já não busco salvar minha vida. Basta-me preservar o dia de hoje.
Planos exagerados, sonhos voluptuosos só me causam frustração.
A realidade é dura, porém benéfica. E o dia de hoje é o meu futuro.

Já não perco o equilíbrio com julgamentos inúteis.
Cada um sabe o que faz e espera as consequências, consciente ou não desta espera.
É tudo ação e reação, reação e consequência.

Não busco a santificação, mas aceito viver no purgatório o tempo que me for necessário.
É preciso encarar dias ruins como uma alavanca pra melhorias internas.
Eu não fazia permutas com qualquer divindade que seja. E não vai ser agora!

Desejo o bem-estar de meu próximo, e neste caso a pessoa mais próxima de mim sou eu mesma.
Cuidadosamente, pois a linha que separa amor-próprio de egoísmo é demasiada tênue.
É perigoso cortar defeitos e acentuar qualidades, pois há o risco de desequilibrar o conjunto.
Entrego nas mãos Dele.

Dia após dia aprendendo. Estou me amando mais... Deste modo eu me preservo.
Estar sozinha não é tão negativo. Sou uma boa companhia e gosto das descobertas que estou fazendo.
Obstáculos sempre existiram em meu caminho. Mas agora há uma diferença:
Ao invés de contorná-los eu os encaro e supero.

Posso estar errada sobre tudo o que escrevi, e se assim for admitirei.
Não tenho tempo para covardia e autoengano.
São falhas primitivas e destruidoras.

Sem esperar algo dos outros, sem cobranças de qualquer gênero.
Sem me levar tão a sério...

Em busca da Serenidade!


Adriana Garcia

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