"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância." (Fernando Pessoa)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Reencontro



Soneto da Ilha

Eu deitava na praia, a cabeça na areia
Abria as pernas aos alísios e ao luar
Tonto de maresia; e a mão da maré cheia
Vinha coçar meus pés com seus dedos de mar.

Longos êxtases tinha; amava a Deus em ânsia

E a uma nudez qualquer ávida de abandono
Enquanto ao longe a clarineta da distância
Era também um mar que me molhava o sono.

E adormecia assim, sonhando, vendo e ouvindo

Pulos de peixes, gritos frouxos, vozes rindo
E a lua virginal arder no plexo

Estelar, e o marulho das ondas sucessivas

Da monção, até que alguma entre as mais vivas
Mansa, viesse desaguar pelo meu sexo.

Vinícius de Moraes




"E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações..."


=> Só consegui explicar o que aconteceu assim, com poesia e música! Foi isso que aconteceu quando nos reencontramos... Poesia e Música!


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