Longe de ti estou caindo, lentamente definhando.
Todas as cores estão desaparecendo, anulando minha inspiração, tomando minha consciência.
Mas eu ainda posso me lembrar que em dias passados meus pensamentos eram sábios e claros, eu me lembro que não havia escuridão manchando minhas paredes da memória.
Eu me lembro que um dia eu me queixei pra você, eu te disse que sentia uma neblina me jogando para os lados e quando ela desaparecia, eu ficava sem nada a ganhar. Quando eu enxergava com clareza, sentia que a claridade me deixava em divergência, me puxando para trás.
Mas onde eu deveria estar? Sinto que eu estou perdida em um sonho... Vivendo num mundo paralelo. Anseio pelo dia em que possa ser eu mesma, e entrar no seu mundo. Anseio cuidar de seus quadros.
Eu percebo que para isso acontecer é preciso que você se sinta livre. Vai ser preciso o sol se pôr e juntos libertarmos os desejos para sempre. É preciso a certeza de que não haverá arrependimentos de ser livre.
No momento que isso acontecer, existiremos novamente um para o outro, sem esforços perdidos, sem nada pra ser preocupar... Não precisaremos agradar. Seremos livres!
As psicodélicas cores que me atordoam e me diminuem, vão se definir. Elas vão dar espaço para as certezas. Os holofotes vão diminuir o foco em meus olhos e eu poderei vê-lo como é realmente, sem nenhum brilho exagerado.
No entanto, não descuidaremos da distância, para que nada se perca. Vamos nos desapegar do tempo, no aqui e agora! É necessário sair dessa de dosar sentimentos. Nessa de que o tempo é mais sábio que o coração. O tempo é só um conceito e é sempre a primeira coisa a sumir. Somos nós que definimos o merecimento, somos nós que escolhemos entre a mágoa e o perdão. A agonia sempre acompanhou a fraqueza e isso eu sei que posso evitar, mas esse tempo imposto é cruel, ele me quebra! Existem coisas que por mais que tentamos consertar, não há conserto. O passado é estático e as pessoas não são iguais. Na nossa ciência comum, na nossa percepção dos acontecimentos e na relatividade de uma possível repetição dos fatos, nós acabamos generalizando as personalidades e as histórias de amor. Eu entendo, também agi assim, e hoje eu tento caminhar por caminhos diferentes pra chegar num outro destino. Mas e se o destino é que muda e não o caminho? É o risco!
Tudo bem se tem que ser assim. Eu só quero a minha liberdade de sentir, de sonhar, de amar. Eu não quero ter que cuidar as palavras, pra não escapar um “eu te amo” no tempo errado. Eu não quero ter que dosar sentimentos porque ainda não completou 6 meses. Eu quero escapar dessas armadilhas. Eu sei que eu não posso agüentar, mas vou esperar a sua hora de acabar com tudo isso. Sentimentos são livres. É tudo o que eu realmente quero e preciso.
Não há quem culpar, porque o destino é aleatório. É algo que não vou conseguir explicar, mas eu entendo, e assim permanece. Quando eu vou poder agir sem cuidar o tempo? Não era pra ser assim. Desando desesperadamente para mudar e ainda assim ser eu mesma.
Abro mão de minhas crenças nas pessoas, não porque desacreditei, mas porque vou enxergá-las com o mesmo propósito só que com um olhar terno, como eu ainda não tinha olhado. Não vou recomeçar. Ao contrário, vou começar uma nova etapa. Recomeçar é fazer novamente as mesmas coisas de um jeito diferente e eu estou me propondo viver o que eu ainda não vivi.
Eu vou apostar no tempo. Vou depositar minhas fichas nesta teoria que me parece tão bela. Estou certa que não haverá arrependimentos. Faz parte da condição de ser livre ter desprendimento com as preocupações.
Quando eu for livre, não vou ligar pro tempo. Doravante ele será a nossa história.
Adriana Garcia
Música: Fragile - Sting
"On and on the rain will fall
Like tears from a star
Like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are
How fragile we are..."
Like tears from a star
Like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are
How fragile we are..."
=> Nem faz sentido!

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